ESTA É A MINHA CONTRIBUIÇÃO PARA AJUDAR A ISABELA. SE GOSTOU DESTE TEXTO POR FAVOR COMENTE AQUI. CADA COMENTÁRIO É UMA MIGALHA PARA ALIMENTAR O SEU SONHO. NÃO FIQUE INDIFERENTE.
OBRIGADA A TODOS.
Na página 38 onde se lê, "Se é por causa de um processo, ao nosso oficial" deve ler-se "Se é por causa de um processo, vou perguntar ao nosso oficial.


Os dois anos seguintes foram sem dúvida os mais felizes da vida de Maria. Era jovem, amava intensamente o marido e sentia-se igualmente amada. Compraram casa, com recurso ao crédito é certo, mas não é assim que quase todos fazemos? Compraram carro, em segunda mão que o dinheiro que a madrinha do marido lhes dera pelo casamento não chegou para um carro novo. Maria tinha enfim a sua casa, não vivia com a mãe, sempre aturando as reprimendas, nem tão pouco com a sogra como acontecera com o
Primeiro casamento.
Sentia-se tão feliz, que nem “os carinhos” que a mãe dispensava ao genro sempre que eles a visitavam lhe faziam mossa.
Elisa nunca fora uma mulher de demonstrar carinho, de um afago. Mas com a doença e a idade o seu feitio seco acentuara-se. E a pouco e pouco Maria ia espaçando as visitas à mãe.
Dois anos após o casamento, a cunhada de Maria ficou grávida, e simultaneamente a sua colega de trabalho também. A alegria das duas, o entusiasmo e o carinho com que preparavam o enxoval dos bebés, foi a pouco e pouco entranhando-se-lhe no corpo e no espírito, e a sua vontade de ser mãe reapareceu com tanta força que Maria não soube ou não quis resistir-lhe. O marido feliz apoiou, mas aconselhou irem primeiro ao médico dado os antecedentes. Assim fizeram e Maria submeteu-se a todos os exames que o seu médico de família e o ginecologista exigiram. A opinião dos médicos era de que estava tudo bem e nada impedia Maria de vir a ser mãe.
Quando seis meses mais tarde Maria contou à mãe que estava grávida a reacção de Elisa foi muito pior do que ela imaginava.
Disse que a filha era uma irresponsável, que bem sabia que não podia ter filhos e que “o retornado deu-te a volta à cabeça. Só ele será responsável pelo que acontecer, vai tornar-se num assassino.”
Maria não se conteve. Gritou que a mãe estava doida e que nunca mais queria vê-la e saiu disposta a não voltar a casa da mãe.
Os meses passaram, a gravidez decorria normalmente, a primeira ecografia mostrou uma menina, e o casal estava muito feliz.
Pouco depois dos seis meses, Maria sentiu-se mal e foi para o Hospital. Feitos os exames, descobriram que o bebé tinha desenvolvido uma hidrocefalia, não aguentou a pressão craniana e estava a morrer.
Foi feita uma cesariana de urgência, mas nada puderam fazer pelo bebé.
Primeiro Maria ficou
Na cabecinha doente de Maria, uma ideia tornou-se obsessão. A sua mãe fora a culpada do que aconteceu. Fora praga da mãe que nunca quisera que ela tivesse um filho. A relação amor-ódio que sempre tivera pela mãe transformou-se num ódio feroz. Convenceu o marido a vender a casa e a ir morar para longe da mãe. E jurou que nunca mais ia ver a mãe.
Um dia a empregada doméstica da Elisa chegou às 8 da manhã como costume e estranhou ouvir a Televisão da sala. Dirigiu-se lá e encontrou Elisa sentada no sofá a dormir. Pelo menos era o que parecia. Dirigiu-se à cozinha preparou o pequeno-almoço e só quando foi dizer-lhe que estava pronto é que se apercebeu de que Elisa estava morta.
Foi a sepultar num chuvoso dia de Dezembro. Sem a presença da filha que ninguém sabia onde encontrar.
Foto DAQUIPor esta altura Elisa não andava bem. Toda a sua vida fora uma mulher forte, saudável, e o seu único receio era de que a loucura de sua mãe fosse hereditária. Embora nunca contasse a ninguém, esse era um medo que carregava no peito e que vinha sorrateiro atormentá-la nas noites de insónia, como se fora um fantasma.
Mas ultimamente não se sentia bem. Começou por uma vaga sensação de desequilíbrio, formigueiro e perda de sensibilidade nas mãos e pés. “Coluna” pensou, e tratou de esquecer. Mas aquela vaga sensação de mal-estar não a deixava esquecer. Começou a emagrecer, mas pensou que até era bom para ela. “Menos peso menos problemas de coluna” Notou que tinha mais fome e sobretudo muita sede. Mas apesar de comer cada vez mais, continuava a emagrecer.
Naquele dia estava no atelier trabalhando num vestido de noiva com uma das empregadas e sentia-se estranhamente cansada e a vista enevoada fazia com que tivesse dificuldade em ver os delicados pontos do vestido. De repente sentiu um calor que lhe percorria o corpo, uma sensação de opressão no peito e só teve tempo de dizer à empregada que não se sentia bem antes de ficar inconsciente.
Chamada uma ambulância foi levada para o hospital onde ficou internada.
Esteve internada mais de 15 dias. Os médicos descobriram uma diabetes não controlada, com complicações renais, e também uma hipertensão arterial.
Maria teve conhecimento de que a mãe estava no hospital, e esquecendo as mágoas, correu a visitá-la.
Quando Elisa teve alta, nem parecia a mesma mulher. Estava muito magra e encontrava-se muito fraca. Porém estava feliz por a filha a ir visitar quase todos os dias.
Passou algum tempo, Elisa melhorou substancialmente, aprendeu a viver com a doença, e voltou à sua vida normal, de excelente modista, embora tivesse agora mais dificuldade em executar certos trabalhos mais minuciosos por causa dos olhos, mas esses deixava para a sua empregada fazer.
Simultaneamente com as melhoras, voltou também a prepotência em relação à filha. Queria que viesse viver consigo. Maria resistiu. Ela não queria a mãe a tomar conta da sua vida, a fazê-la viver a vida com que ela sonhara e que nunca tivera.
Foi nessa altura que Maria conheceu o homem que viria a ser o grande amor da sua vida. Artur era um jovem simpático, que foi trabalhar para a empresa onde ela já trabalhava. Recém-chegado de Moçambique, onde nascera, tinha uma simpatia que cativava.
E se ela se apaixonou pelo rapaz este também não ficou indiferente à jovem e em breve eram namorados.
Quando Maria apresentou à mãe o namorado, esta não foi simpática. E logo que ficou sozinha com a filha, disse-lhe que ela continuava sem juízo, que o rapaz era um “retornado” que não tinha raízes, e um sem número de outras coisas que a filha já nem memorizou tal a ira que a mãe lhe provocou.
Cedo porém Elisa deu-se conta de que não ia conseguir separar a filha do namorado. Então resolveu mudar o jogo. Mostrando uma simpatia que não sentia, convidou a futura comadre para um lanche com o pretexto de que era para se conhecerem melhor.
Durante o lanche foi dizendo que a filha “nunca poderia ser mãe, que o homem que se casasse com ela teria que prescindir do sonho de vir a ser pai, mas que tirando isso era uma excelente menina.”
Elisa sabia que todas as mulheres sonham com o dia em que são avós. A mãe de Artur se encarregaria de convencer o filho a não continuar aquela relação.
Enganou-se.
Maria e Artur casaram em Julho de 1985 num lindo dia de Verão.
Continua
UMA ÓPTIMA SEMANA PARA TODOS